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Da mesma forma que as ameixas verdes podem ser usadas para fazer o umeshu, o limão-yuzu também produz um ótimo licor. O yuzushu é um licor bastante suave, cítrico e ótimo para se tomar gelado. Se você não tiver paciência para fazer um – porque a espera é longa – existem versões industrializadas, importadas do Japão, que são comercializados em garrafas na Liberdade, e também é possível desgustar uma dose em izakayas do bairro. Já provei os da marca Oze no Yukidoke e o Bar Yuzu Liqueur da Iitchiko, que vem em uma charmosa garrafinha verde.
Inspirada pela linda garrafa de Yuzu Lemon-shu, não tive dúvidas de que algumas frutas tinham destino certo. Com base no post do blog Kyoto Foodie e as dicas do Alexandre “Adegão” Iida, montei o meu segundo licor caseiro.


Mais uma vez o item mais trabalhoso da receita é a paciência. É preciso esperar quase um ano para se chegar num ponto ideal da mistura de álcool, açúcar e a acidez das frutas. Se você não tiver yuzu, não se preocupe, a receita também funciona com limão tahiti, siciliano e laranjas kinkan – e acho que um dia escreverei que qualquer fruta dando sopa pode virar um ótimo licor.

Yuzushu
Ingredientes
- 1kg de yuzu (de 5 a 7 limões)
- 2 garrafas de shochu 35%
- 1kg de rock sugar
Utensílios
Pote com tampa que tenha capacidade mínima de 2 litros.
Modo de fazer
- Lave bem as frutas
- Descasque e reserve as cascas e os gomos.
- Agora vai a parte mais trabalhosa: pegue a casca e retire toda a camada branca que tem dentro. Tirei tudo que pude e ainda assim dá pra sentir um saborzinho amargo bem leve… Então capriche.
- Esterilize o vidro com água quente
- Pegue as cascas e os gomos e coloque no pote junto com o açúcar. Na dúvida, resolvi seguir o mesmo esquema de intercalar os ingredientes como na recieta do umeshu
- Preencha o pote com o shochu.
- Arranje um lugar escuro, seco e seguro para o seu licor, pois é lá que ele vai descansar por um bom tempo.

As frutas ficam no fundo do pote por algum tempo e logo depois, passam para a parte de cima do pote. Seguindo o conselho do Alexandre, observei a mistura todos os dias na primeira semana. Assim que as frutas começaram a flutuar, abri o pote e retirei as cascas – isso evita que o licor fique amargo.
Aproveitei também para fazer pequenas provas durante esses primeiros dias, é possível notar as diferenças de acidez em poucos dias.
Dicas
- Qual é o melhor shochu? Não sei dizer se é o melhor, mas gosto do Godo porque é como um álcool de cereais, praticamente sem sabor para interferir no licor.
- Se você tiver potes menores, não vejo problema em dividir a receita em duas partes.
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July 8th, 2010

Posso dizer que faz parte do DNA da minha família chegar na casa de parentes com algum pacotinho. Não é raro presentear ou ser presenteado com docinhos, pães, biscoitos e outras delícias, e que muitas vezes são feitas à mão. Tias, avós, primas e irmãs levando seus melhores quitutes para que outra aprecie e para não dizer que isso fica restrito apenas às mulheres da casa, meu padrinho também é um especialista em churrasco, conservas e faz uma feijoada maravilhosa.
Nesta tarde, estávamos em mais de dez netos, três bisnetos, minha avó e três de seus sete filhos – quatro gerações que juntos não dava nem 1/3 da família inteira.
Tínhamos tortas, frutas e outras sobremesas fantásticas para acompanhar a comemoração dos 35 anos da minha prima mais velha. Mas o prato que mais chamou atenção foi essa releitura de manju recheado com chocolate – um bolinho japonês que existe há mais de 700 anos e que tradicionalmente é recheado com anko (pasta doce de feijão azuki).
Como acredito que não foi só em casa que sobrou uma boa quantidade e variedade de chocolates depois da Páscoa, achei que a mais nova receita da família seria uma dica boa para quem não aguenta mais tantos ovos e bombons – para aliviar a consciência, eles são cozidos no vapor.

Manju au chocolat
Ingredientes (1 receita rende aprox. 70 bolinhos)
- 1 copo de água
- suco de 1/2 limão
- 2 copos de açúcar
- 3 colheres de sopa de fermento
- 5 copos de farinha
Para o recheio
- 280g de chocolate da sua preferência (amargo, ao leite, branco…) – pedaços de 4g para cada bolinho
Modo de fazer
Massa:
- Para a massa é fáci: misture todos ingredientes em uma bacia.
- Misture bem até ficar uma massa homogênea e faça pequenas bolinhas de + ou – 4 cm de diâmetro.
- A dica nesse momento é terminar todas elas antes de começar a recheá-las.
- Recheie cada uma das bolinhas com um pedaço de chocolate e feche o bolinho não deixando nenhuma parte do chocolate aparente.
Dica: Se você for usar chocolate ao leite e não tiver balança, pode dividir chocolate Baton em 4 partes.
Cozinhando os bolinhos:
- Ponha a panela para ferver e coloque as bolinhas no cesto perfurado.
- Deixe-as lá por aproximadamente 15 min. depois que a água começar a ferver
- NÃO empilhe as bolinhas – dependendo do tamanho da sua panela será preciso cozinhar por partes.
Dica: Para não grudar na grade da panela de vapor, recomendo o uso de um pano de toalha recortado no tamanho do cesto perfurado que vai dentro da panela. E lembra daquele 1/2 limão que sobrou da massa? Então, pode colocá-lo dentro da água para ferver – isso evita que a panela escureça.


E para a celebração do ano que vem, olha só a dica do blog The Food Librarian: manjus em forma de coelho da loja japonesa Piyonya que fica em Kyoto. É uma pena o site ser todo e apenas em japonês, mas dá pra ter uma noção dos doces lindos que eles fazem só pelas fotos que foram colocadas lá.
April 19th, 2010

Se o Bistrô Pregui fosse um lugar real, tenho certeza que essa semana (ou o mês todo?) teríamos diversos pratos refrescantes e bem leves para encarar com mais disposição essas temperaturas absurdas e as chuvas sem fim (elas finalmente deram uma trégua aqui em São Paulo). E hoje, seria dia de Hiyashi Somen.
O prato é simples: macarrão somen escaldado por 1 minuto com um molho suave a base de shoyu e caldo de peixe, com legumes, alguma carne e… gelado! E para deixar ainda mais refrescante, costumo usar gengibre fresco ralado para o molho e gengibre em conserva misturado no macarrão.
Para fazer o Hiyashi Somen, comece pelo caldo e enquanto ele ferve e esfria, dá tempo de picar os ingredientes. E assim… obviamente existe várias versões na internet com cogumelos, legumes, peixe… mas o importante é deixá-los pequenos ou picadinhos para facilitar na hora de comer com o hashi e para misturar bem na massa.
Macarrão:
(Calcule de 100 a 150g de somen por pessoa).
- Ferva 1 litro de água, e adicione o macarrão por 1min e escorra.
Jogue água fria filtrada e reserve a massa em um pote com pedras de gelo.
Molho
- 1/2 xícara de água
- 1/2 água
- 1/4 de saquê (pode usar 1/2 xícara de não tiver mirin)
- 1/4 de mirin
- 1 colher rasa de sopa de hondashi
- 1 colher rasa de açúcar
- gengibre ralado
Modo de fazer
Coloque todos os ingredientes em uma panela funda e deixe no fogo médio até ferver.
Desligue, deixe esfriar e deixe na geladeira até ficar gelado – se sobrar, pode guardar que o molho dura um tempão.
- ervilhas frescas
- omelete cortada em tirinha
- gengibre em conserva
- Lascas de peixe bonito – katcho
- frango picadinho
Ah, aussie… tinha uma porção de chicken wings de um restaurante famoso aí que estavam muito boas geladas. E nada de peixe ou algo mais japs para combinar com o meu hiyashi… aí veio a aquela coceira mental “será…?” e não é que o esquema fusion funcionou? E o apimentadinho casou bem. Por isso, pode deixar o potinho de togarashi por perto para quem curtir sabores mais picantes.
February 13th, 2010

Estou sem receitas queridos, mas como ainda paira no ar os requícios da generosidade e dos bons votos do final de ano, deixo para vocês os famosos (e deliciosos) cubinhos de queijo coalho com tapioca, obra das abençoadas mãos do Rodrigo Oliveira – chef do restaurante Mocotó. Conheci ambos no mês passado no encontro da lista Blogs de Comida – com as companhias mais que agradáveis de blogueiros e seus digníssimos. Tive como companheiros de aventura – porque pra chegar lá foi preciso GPS e iPhone conectados conferindo cada curva – do Vitor Hugo (aka @pratofudo) e a Naomi Covacs (@laconics).
Comida ótima, companhia agradável e a certeza de que a vida… ah gente, é muito boa. E fica melhor regada com Francesinha.
Que esse seja um Feliz 2010 para todos nós!
Update: Os cubinhos são servidos com molho de pimenta Blue Dragon, que antes era encontrado facilmente na rede de supermercados Pão de Açúcar e que agora sumiu. Confesso que não fui procurar na Liberdade e simplesmente substituí por geléia de pimenta (existe algumas da Queensberry e da Cia das Pimentas). Mas a coisa boa é que receita original do Rodrigo tinha uma geléia de mixirica a base de Tanjal! Sim, aquele suco de lata que me dá arrepios só de lembrar. Se interessar, a receita está aqui.
January 12th, 2010
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