
Até o dia 10 de março acontece a Japan Foods 2010 , a loja-evento cujo objetivo é divulgar 32 produtos japoneses ainda não comercializados no Brasil e pesquisar a receptividade e opinião do público.
O espaço, montado dentro do Pão de Açúcar do shopping Iguatemi, ficou muito bonito. Delicada, a decoração combina tanto com o ambiente que aproveitaram até para decorar o balcão de sushi que fica dentro do mercado. Presente em tudo está a sakura – a flor nacional do Japão, que dentre os muitos significados simboliza a efemeridade e é a insígna dos samurais. A sakura também é um dos destaques na gôndola por ser ingrediente principal da Sakura Jam – geléia com as pétalas da flor em conserva.
A abordagem ao público é bastante sutil e a equipe está muito bem treinada sobre a origem, uso, composição e curiosidades. Depois de provar uma pequena porção (a minha era pequena de verdade), o visitante é convidado a responder uma pesquisa breve. Nota: a degustação aconteceu apenas algumas vezes ao dia, em horários planejados e apenas um produto de cada vez.
Mas tenho dúvidas de que seleção feita pela Jetro (Japan External Trade Organization) foi tão inédita. Ainda que cada um dos itens apresente características únicas, o umeshu é velho conhecido e o shochu com yuzu, acaba de ser lançado, há missô, kanten, biscoito senbei, molho de gergelim, yokan… Achei ótimo provar o sorvete que servem no trem bala, mas já não é novidade por aqui.
E levar tanto exotismo para casa não é barato, 120g de sorvete por R$17,00 ou o pote com 4g de chá verde orgânico por quase R$ 50,00. Parece ir na direção contrária de quem valoriza a simplicidade, os produtos locais e comidas reconfortantes não apenas ao paladar mas também pro bolso.
Se for só pela degustação, talvez não se justifique encarar as altas temperaturas para ir ao evento. Mas se você estiver lá pra comprar a sua bolsa Louis Vuitton, aproveite e dê uma passadinha porque está tudo bonito e bem montado. :)
Japan Foods 2010
Até o dia 10/03
Pão de Açúcar – Shopping Iguatemi
Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2.232
February 24th, 2010

Um belo dia vi o Gustavo Rigueiral falando de licuri, um coquinho que vem do nordeste e cujo os frutos às vezes trazem larvas gordas e suculentas na sua polpa que deviam ser ótimas e que essas idéias absurdas tinham vindo de um post da Neide Rigo. Curiosa e com vontade de ver o tal bicho, fui direto no site para procurar quando me deparei com uma foto de um alho meio murchinho e preto.
Imaginei que era alguma receita de alho com shoyu mas lendo o post vi que não era nada disso. Naquele dia contava sobre como tinha ganhado 3 lindos alhos negros. E não era só isso, tinha também descrições saborosíssimas que me deixaram aguada e muito mais disposta a procurar – afinal eu amo alho, ele não era de outro estado e não se mexia… e tinha todas as infos lá de como entrar com a criadora – a Marisa Ono do ótimo blog Delícia (que considero um dos melhores blogs de receitas japonesas).
Na mesma semana, conversando com a Andrea Oinishi e a Adriana Simizo surgiu a idéia de fazer um pedido coletivo para vermos qual era a dessa novidade. E voilá, o resultado tá na foto acima.
Fiz o pedido por email e em três dias chegou uma caixa que mesmo tendo um saco vedado dentro, deixava no ar uma leve evidência que os alhos tinham chegado. Feita a divisão, fui provar para ver o que tinha de especial no tal ingrediente da vez, que conquistou chefes de São Paulo e começa a pipocar nos cardápios da cidade.
O sabor confirma a informação dos jornais e no próprio post da Neide – o alho é adocicado, denso, e me lembrou muito uma fruta passa mas sem o açúcar.
E tem algo bastante oriental nele – que não é doce, nem salgada e parece que fez parte de alguma conserva… toques sutis que me lembraram vinagre, shoyu ou missô adocicado.
Uma coisa importante para ressaltar é que não é uma nova espécie, é o mesmo alho que vende no mercado mas que é tratado por umas duas semanas em uma estufa pela Marisa Ono.
Depois de provar puro, mandei azeite e depois fiz fritinho com frango, com massa, com legumes, no pão… Sei que fica muito bom quando misturado com alho comum e o sabor fica mais pronunciado quando adicionado ao final do cozimento – e não logo no primeiro refogado. E que o melhor de tudo: não deixa rastros – o sabor não fica impregnado na boca, nada de ficar lembrando do alho depois.
Mas não pensem que esqueci da larva do licuri… ainda coloco o bichinho aqui fritinho com sal para vocês verem.
Infos adicionais
Preço: O quilo saiu a R$ 100,00 (até 01/10 quando fiz a compra)
Encomenda mínima: 100 gramas (equivalente a 3 cabeças de alho).
Envio por Sedex até São Paulo: para encomendas até 300 gramas é de R$ 11,90. Para até 1 kg, R$ 12,80.
Contato da Marisa: marisaono@gmail.com.
February 19th, 2010