Posts filed under 'ingredientes'

Maio: o mês do yuzu

yuzu

Ficar por aí perguntando pela internet, no twitter e para todo mundo sobre frutas e ingredientes que poucos conhecem, só faz bem para minha fama de obcecada.
Meu avô, que viveu até a minha idade em Naha, capital de Okinawa, e dizia que limões não deviam ser comidos, que nada tão azedo faria bem e descartava caixas e mais caixas de limões sudachi (outro cítrico japonês que faz a minha cabeça).
As árvores eram tidas como ornamentais e mesmo vivendo quase 70 anos em terras brasileiras, não se acostumou com a idéia de se alimentar com as frutas. Imagino que se ele fosse vivo, ele estaria dizendo que eu não tenho jeito mesmo… Mas confesso que ter finalmente um yuzu em mãos me deu uma satisfação muito boa.

Há alguns posts, era grande a decepção ao relatar a primeira receita usando o yuzu-kosho. E semanas mais tarde o yuzu lemon (yuzushu) entrava para o hall das minhas bebidas favoritas. Essa mistura de sentimentos só me deixou mais curiosa.

A Marisa Ono me mandou algumas informações sobre a fruta pelo twitter, encontrei no post na Neide Rigo a informação de que era preciso mais que sementes para ter uma árvore exclusiva no quintal – por ser um híbrido (Citrus ichangensis x Citrus reticulata var. austera) o yuzu precisa de uma muda… e notei que ele podia ser chamado, e por que não, de limão. Daí se seguiram contatos com associações de citricultura, agricultores, parentes no interior…

Eis que um dia, o Alexandre Iida, da Adega de Sake, teve a mais feliz das idéias: me contou que recebia algumas frutas in natura, mas que era preciso acender velas, fazer promessas e contar com muita sorte para chegar neles antes de alguns chefs japoneses bastante renomados na cidade.
Quando a primeira semana de maio terminou, recebi um SMS dizendo que ele estava a minha procura: voilá! O yuzu finalmente tinha aparecido (e desaparecido porque fiquei sabendo que no mesmo dia não havia mais nenhuma fruta na loja).

Já fiz licor (sim! yuzushu à vista!), geléia, bolo, sorvete… só não consegui inventar mais porque as frutas estava muito maduras. Congelei uma parte do suco e mandei alguns de presente de aniversário para o Vitor Hugo, porque nosso conhecido taurino estava há bastante tempo falando do fantástico bolo chiffon da Mari Hirata. Só consegui despachar 3 frutas, mas foi de coração. :)

O Yuzu

yuzu

O yuzu é do tamanho de uma tangerina. Tem um aroma muito gostoso e cítrico, que lembra levemente um grapefruit. A casca é grossa e a cor dos gomos é amarelo-pálido e diferente do limão tahiti e do siciliano, existe uma camada grossa de pectina, que lembra cidra. Tem várias sementes e para se obter 100ml de suco é preciso 2-3 frutas de tamanho médio – quantidade suficiente para deixar meu bolo chiffon muito saboroso.

A fruta tem origem chinesa e foi introduzida no Japão pelos coreanos no ano 710, no período Nara. Pelas matérias que andei lendo, parece que não é só por aqui que a fruta é difícil de ser encontrada. É um dos poucos cítricos que resiste à baixas temperaturas 9oC e é cheia de espinhos. Mesmo no Japão é considerada especial e cara, sendo amplamente utilizado na culinária, cosméticos e para.. banhos!

Desde a primeira colheita o yuzu é aproveitado de diversas formas. Quando verde e pequeno, são feitos pastas como o yuzu-kosho, e a casca também é adicionado à caldos e sopas. Ao amadurecerem, a casca torna-se amarela-dourada, o sabor e o aroma do yuzu mudam, aproveitando-o para pratos especiais, como o Yuzu-Gama; em que o yuzu é literalmente usado como pote.

Muitas casas japonesas mantêm algumas frutas durante a semana do solstício de inverno (toji), no finalzinho do mês de dezembro – celebrado com um banho de yuzu (yuzu yu) , para o qual são jogadas várias frutas na banheira. Acredita-se que inalar o vapor aromatizado e energético de yuzu traz proteção e saúde para todo o ano seguinte.

O visual é incrível, mas fiquei na dúvida se eu toparia um banho público com um monte limões…

Links Relacionados

4 comments June 2nd, 2010

Japan Foods 2010

Japan_foods

Até o dia 10 de março acontece a Japan Foods 2010 , a loja-evento cujo objetivo é divulgar 32 produtos japoneses ainda não comercializados no Brasil e pesquisar a receptividade e opinião do público.

O espaço, montado dentro do Pão de Açúcar do shopping Iguatemi, ficou muito bonito. Delicada, a decoração combina tanto com o ambiente que aproveitaram até para decorar o balcão de sushi que fica dentro do mercado. Presente em tudo está a sakura – a flor nacional do Japão, que dentre os muitos significados simboliza a efemeridade e é a insígna dos samurais. A sakura também é um dos destaques na gôndola por ser ingrediente principal da Sakura Jam – geléia com as pétalas da flor em conserva.

A abordagem ao público é bastante sutil e a equipe está muito bem treinada sobre a origem, uso, composição e curiosidades. Depois de provar uma pequena porção (a minha era pequena de verdade), o visitante é convidado a responder uma pesquisa breve. Nota: a degustação aconteceu apenas algumas vezes ao dia, em horários planejados e apenas um produto de cada vez.

Mas tenho dúvidas de que seleção feita pela Jetro (Japan External Trade Organization) foi tão inédita. Ainda que cada um dos itens apresente características únicas, o umeshu é velho conhecido e o shochu com yuzu, acaba de ser lançado, há missô, kanten, biscoito senbei, molho de gergelim, yokan… Achei ótimo provar o sorvete que servem no trem bala, mas já não é novidade por aqui.

E levar tanto exotismo para casa não é barato, 120g de sorvete por R$17,00 ou o pote com 4g de chá verde orgânico por quase R$ 50,00. Parece ir na direção contrária de quem valoriza a simplicidade, os produtos locais e comidas reconfortantes não apenas ao paladar mas também pro bolso.

Se for só pela degustação, talvez não se justifique encarar as altas temperaturas para ir ao evento. Mas se você estiver lá pra comprar a sua bolsa Louis Vuitton, aproveite e dê uma passadinha porque está tudo bonito e bem montado. :)

Japan Foods 2010
Até o dia 10/03
Pão de Açúcar – Shopping Iguatemi
Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2.232

Add comment February 24th, 2010

De link em link…

alho_negro

Um belo dia vi o Gustavo Rigueiral falando de licuri, um coquinho que vem do nordeste e cujo os frutos às vezes trazem larvas gordas e suculentas na sua polpa que deviam ser ótimas e que essas idéias absurdas tinham vindo de um post da Neide Rigo. Curiosa e com vontade de ver o tal bicho, fui direto no site para procurar quando me deparei com uma foto de um alho meio murchinho e preto.

Imaginei que era alguma receita de alho com shoyu mas lendo o post vi que não era nada disso. Naquele dia contava sobre como tinha ganhado 3 lindos alhos negros. E não era só isso, tinha também descrições saborosíssimas que me deixaram aguada e muito mais disposta a procurar – afinal eu amo alho, ele não era de outro estado e não se mexia… e tinha todas as infos lá de como entrar com a criadora – a Marisa Ono do ótimo blog Delícia (que considero um dos melhores blogs de receitas japonesas).

Na mesma semana, conversando com a Andrea Oinishi e a Adriana Simizo surgiu a idéia de fazer um pedido coletivo para vermos qual era a dessa novidade. E voilá, o resultado tá na foto acima.

Fiz o pedido por email e em três dias chegou uma caixa que mesmo tendo um saco vedado dentro, deixava no ar uma leve evidência que os alhos tinham chegado. Feita a divisão, fui provar para ver o que tinha de especial no tal ingrediente da vez, que conquistou chefes de São Paulo e começa a pipocar nos cardápios da cidade.

O sabor confirma a informação dos jornais e no próprio post da Neide – o alho é adocicado, denso, e me lembrou muito uma fruta passa mas sem o açúcar.
E tem algo bastante oriental nele – que não é doce, nem salgada e parece que fez parte de alguma conserva… toques sutis que me lembraram vinagre, shoyu ou missô adocicado.

Uma coisa importante para ressaltar é que não é uma nova espécie, é o mesmo alho que vende no mercado mas que é tratado por umas duas semanas em uma estufa pela Marisa Ono.

Depois de provar puro, mandei azeite e depois fiz fritinho com frango, com massa, com legumes, no pão… Sei que fica muito bom quando misturado com alho comum e o sabor fica mais pronunciado quando adicionado ao final do cozimento – e não logo no primeiro refogado. E que o melhor de tudo: não deixa rastros – o sabor não fica impregnado na boca, nada de ficar lembrando do alho depois.

Mas não pensem que esqueci da larva do licuri… ainda coloco o bichinho aqui fritinho com sal para vocês verem.

Infos adicionais

Preço: O quilo saiu a R$ 100,00 (até 01/10 quando fiz a compra)
Encomenda mínima: 100 gramas (equivalente a 3 cabeças de alho).
Envio por Sedex até São Paulo: para encomendas até 300 gramas é de R$ 11,90. Para até 1 kg, R$ 12,80.
Contato da Marisa: marisaono@gmail.com.

2 comments February 19th, 2010


Categorias

Assine o Bistrô Pregui

Twitter

Posts recentes

www.flickr.com
This is a Flickr badge showing items in a set called Bistrô Pregui. Make your own badge here.

Tags

acessório alho negro azeitonas biscoito biscoitos café da manhã camarão chocolate cupcake cursos decoração dia dos namorados dicas evento eventos Festival do Japão ganache ingrediente issa izakaya jantar japonês leite fermentado Liberdade limão yuzu macarrão manju moedor morangos nhoque pasta americana pimenta receita sal sata andagi shochu sobremesa solteiros São Paulo teste tim tam TimTam umeshu yuzu yuzushu

Links