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No mangá Gourmet existe um capítulo sobre as comidas prontas nos mercados, que descreve o protagonista comprando em uma loja de conveniência. São tantos produtos que a compra vira um verdadeiro banquete, com direito a entrada, prato principal e sobremesa.
Passeando pela Liberdade, notei que existem cada vez mais pratos semi-prontos made in japan nas gôndolas e freezers dos mercados. E fiquei supresa ao ver arroz pronto, cozido e embalado em potinhos à vácuo que atravessaram os mares para chegar ao consumidor brasileiro – afinal, o preparo do arroz japonês é consideravelmente simples: basta adicionar 2x a medida de arroz e deixar cozinhando na panela semi-aberta ou simplesmente acionar a panela elétrica.

Só que a curiosidade é sempre mais forte e pratos vapt-vupt são muito bem vindos, ainda mais para uma novidadeira assumida como eu. Resolvi provar o gyudon: uma porção de arroz com fatias de carne adocicada por cima. E mesmo sendo um prato fácil de ser encontrado em qualquer restaurante do bairro, resolvi adotar o estilo loja de conveniência e levei o pacote para casa.
Aqueci tudo na panela de vapor, seguindo as claras (e tradicionalmente ilustradas) instruções e em menos de 15 minutos estavam prontos o arroz e um sachê com uma misturinha – que se mostrou bem menos apetitosa do que embalagem prometia.
O veredito: o prato só serve para quando bate o desespero e não existe nenhuma dignidade para sair de casa em busca de comida. O molho é até gostoso, mas ralo demais para um gyudon. E o arroz… tem um leve e perturbador aroma e sabor de um arroz que foi cozido e ficou um bom tempinho fechado. Não chega a azedar, mas está longe de estar fresco.
Na foto até que ficou apetitoso, mas fiquei a refeição toda pensando que nada substitui comida fresquinha e feita na hora… ou que pelo menos não venha semi-pronta de tão longe.

October 28th, 2010

Da mesma forma que as ameixas verdes podem ser usadas para fazer o umeshu, o limão-yuzu também produz um ótimo licor. O yuzushu é um licor bastante suave, cítrico e ótimo para se tomar gelado. Se você não tiver paciência para fazer um – porque a espera é longa – existem versões industrializadas, importadas do Japão, que são comercializados em garrafas na Liberdade, e também é possível desgustar uma dose em izakayas do bairro. Já provei os da marca Oze no Yukidoke e o Bar Yuzu Liqueur da Iitchiko, que vem em uma charmosa garrafinha verde.
Inspirada pela linda garrafa de Yuzu Lemon-shu, não tive dúvidas de que algumas frutas tinham destino certo. Com base no post do blog Kyoto Foodie e as dicas do Alexandre “Adegão” Iida, montei o meu segundo licor caseiro.


Mais uma vez o item mais trabalhoso da receita é a paciência. É preciso esperar quase um ano para se chegar num ponto ideal da mistura de álcool, açúcar e a acidez das frutas. Se você não tiver yuzu, não se preocupe, a receita também funciona com limão tahiti, siciliano e laranjas kinkan – e acho que um dia escreverei que qualquer fruta dando sopa pode virar um ótimo licor.

Yuzushu
Ingredientes
- 1kg de yuzu (de 5 a 7 limões)
- 2 garrafas de shochu 35%
- 1kg de rock sugar
Utensílios
Pote com tampa que tenha capacidade mínima de 2 litros.
Modo de fazer
- Lave bem as frutas
- Descasque e reserve as cascas e os gomos.
- Agora vai a parte mais trabalhosa: pegue a casca e retire toda a camada branca que tem dentro. Tirei tudo que pude e ainda assim dá pra sentir um saborzinho amargo bem leve… Então capriche.
- Esterilize o vidro com água quente
- Pegue as cascas e os gomos e coloque no pote junto com o açúcar. Na dúvida, resolvi seguir o mesmo esquema de intercalar os ingredientes como na recieta do umeshu
- Preencha o pote com o shochu.
- Arranje um lugar escuro, seco e seguro para o seu licor, pois é lá que ele vai descansar por um bom tempo.

As frutas ficam no fundo do pote por algum tempo e logo depois, passam para a parte de cima do pote. Seguindo o conselho do Alexandre, observei a mistura todos os dias na primeira semana. Assim que as frutas começaram a flutuar, abri o pote e retirei as cascas – isso evita que o licor fique amargo.
Aproveitei também para fazer pequenas provas durante esses primeiros dias, é possível notar as diferenças de acidez em poucos dias.
Dicas
- Qual é o melhor shochu? Não sei dizer se é o melhor, mas gosto do Godo porque é como um álcool de cereais, praticamente sem sabor para interferir no licor.
- Se você tiver potes menores, não vejo problema em dividir a receita em duas partes.
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July 8th, 2010

Não sei se todo mundo lembra da saga do umeshu – três blogueiras destemidas resolveram encarar o desafio de fazer em casa o licor de ameixa japonês que leva “apenas” um ano para ficar pronto.
Já posso adiantar que o meu umeshu não está nem um pouco bonito, as ameixas estão pequenas, enrrugadinhas e com cara de pouco apetitosas. A Andrea disse que o dela também não estava muito atraente e ficamos achando que deve ser assim – e imagino que os industrializados devam receber ameixas gordas, verdinhas e suculentas ao serem envasados.
Incentivada pela Dri, que abriu o pote dela há alguns dias, resolvi fazer a prova do meu, que também completou seis meses. Neste final de semana pude finalmente ter as primeiras impressões do nosso experimento:
- O aroma está bem suave e fresco, uma delícia – parece que foi feito com as flores e não com os frutos.
- A cor está bem clarinha (será que eu devia ter feito um caramelo antes?)
- O sabor de ameixa é suave, ele não está denso como os licores que tomei por aí, e não está tão doce quanto eu esperava.
- E ainda está bastante azedo e um tanto ácido, pontos decisivos para o veredicto: ainda não é a hora.
É isso gente. Agora, só setembro dirá se a receita de umeshu deu certo.
UPDATE: trocando umas mensagens pelo twitter com o Alexandre Iida, consultor de sakes e dono da Adega do Sake, fiquei sabendo que é preciso deixar 1 ano mesmo para chegar no ponto de equilíbrio entre a acidez do umê e o açúcar.
March 23rd, 2010