Miya, para o Bistrô Pregui

Este post foi gentilmente escrito por uma grande amiga, dona do blog Cyanocephala, que além de passarinheira também é apreciadoras de ótimos jantares e lugares para lá de recomendáveis. Nos encontramos no final de semana e sugeri que ela escrevesse sobre o Miya, o restaurante no bairro de Pinheiros em São Paulo. Não se trata de um restaurante típico japonês, mas de pratos contemporâneos com toques, ingredientes típicos da terrinha nos pratos criados pelo chef Flávio Miyamura.

Fomos ao Miya umas quatro vezes. Descoberto por acaso, lendo resenhas pela internet. Na primeira vez que fomos, eu ainda não tinha decidido parar de comer foie gras em restaurante (uma questão moral, não pelo purismo do sabor), então quisemos provar o terrine de foie gras com doce de leite. Pode parecer estranho, mas lembre que foie gras combina com vinho doce, então por que não combinaria com doce de leite? Ficou bom mesmo.

De entradas, também já comemos as croquetas de funghi, que têm sabor tão intenso a ponto de eu ficar pensando se tinha algo de carne junto, mas acho que não. Alguns cogumelos têm um sabor e consistência que lembra carne.

Outra entrada aprovadíssima: o ovo perfeito com caldo de legumes, bacon e edamame. O ovo perfeitinho chega rodeado de delicadas flores e pedacinhos pequenos de bacon. O garçom traz a jarrinha com o caldo e termina de montar o prato na sua frente, algo que pra mim sempre dá pontos a um prato.

Já as vieiras com palmito, achei sem graça. Sabores suaves demais, faltou alguma coisa.

Não como carne de boi, por motivos ecológicos. Então, de pratos principais, já experimentei o carro-chefe do restaurante: a costela de porco cozida durante horas (acho que o garçom falou 16h, mas pensando bem posso ter ouvido mal ou fantasiado, então não vou me comprometer com o número de horas), muito macia, com crosta de missô e acompanhada de acelga chinesa (é um pouco amarga, diferente da acelga comum que tem gosto de nada), com molho de gergelim; a barriga de porco com purê de castanhas portuguesas (o purê é incrível, mas a barriga não é tão macia, e se você é do tipo que separa a gordura da carne, talvez ache a carne um pouco seca); e o risoto de pato (muito cremoso e saboroso, o arroz num ponto firme como deve ser).

Da última vez levamos meus sogros e meu cunhado. Minha sogra ficou reparando em um prato que trazia a comida em um plástico transparente, embrulhado como uma trouxinha e aberto à mesa. Perguntei pro garçom: era o tal olhete com legumes e confit de limão siciliano. Muito bonito, e parecia fazer sucesso.

Sobremesas: sorvete com favo de mel e queijo meia-cura. Leve, delicado, sabores contrastantes e marcantes. Experimentamos também o crumble de maçã, mas com receio de ser muito doce. Claro que não era. As maçãs cozidas tinham uma doçura suave, e a massa do crumble era uma mistura de maciez e crocância.

Os pratos principais são bem servidos. Não são para duas pessoas, e a maioria acho que nem dá para montar em pratos separados, mas se vocês são do tipo que comem pouco, não se acanhem em experimentar duas ou três das ótimas entradas, pedir só um prato principal (e também um prato vazio), dividir a comida na mesa, e depois provar as sobremesas. Nunca fiz isso porque meu acompanhante não é do tipo que come pouco, mas todas as vezes em que fui, saí com uma sensação de que podia ter comido um pouco menos.

Ingredientes frescos e de primeira, personalidade e ousadia do chef, linda apresentação dos pratos, serviço atencioso, simpático e eficiente. Ambiente moderno e despojado, mas confortável, mesas que não são próximas demais entre si. Numa das vezes o chef, Flávio Miyamura, circulou pelo salão, conversando com conhecidos e se apresentado aos novatos. É um dos meus restaurantes favoritos.

Vai lá:
Miya
Rua Fradique Coutinho, 47, Vila Madalena
Tel.: (11) 2359-8760
www.restaurantemiya.com.br

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *